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Arqueólogos encontram cão mumificado de 1.200 anos no Peru, o mais antigo do sítio Wari

Arqueólogos encontram cão mumificado de 1.200 anos no Peru, o mais antigo do sítio Wari

Arqueólogos encontraram no Peru os restos de um cão sem pelos mumificado há pelo menos 1.200 anos. É a primeira evidência física desse tipo de animal no Castelo de Huarmey, único sítio do Império Wari já identificado na costa norte do país.

Como foi feita a descoberta

A descoberta foi descrita em um estudo publicado no periódico científico Journal of Anthropological Archaeology.

Durante as escavações no sítio, os pesquisadores recuperaram 341 ossos de cachorro. O material indica que eles pertenceram a pelo menos 19 animais diferentes, além de um macho encontrado totalmente mumificado.

A datação por radiocarbono do cão macho apontou, no mínimo, 1.200 anos de idade. Isso faz dele o espécime mais antigo já recuperado no Castelo de Huarmey até hoje.

O que é o Castelo de Huarmey

O sítio está a 305 quilômetros ao norte de Lima e ocupa uma área de 44,5 hectares. Ele funcionou como centro administrativo e funerário do Império Wari, considerado o primeiro verdadeiro império dos Andes.

A região foi ocupada entre os anos 600 e 1.050 d.C., cerca de 400 anos antes da ascensão dos incas ao poder.

Nos últimos 15 anos, o local já revelou outras descobertas importantes. Entre elas, um túmulo intacto da elite Wari com os restos de 58 mulheres de alto status e 1.300 artefatos, além de sepulturas de artesãos enterrados com ferramentas de ouro, prata e bronze.

O que os ossos de cachorro revelam sobre os Wari

Segundo Weronika Tomczyk, pesquisadora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Dartmouth e autora do estudo, os resultados mostram que humanos e cães coexistiram no sítio arqueológico Wari.

Um filhote de 6 a 8 semanas de idade foi enterrado ao lado de um artesão de elite apelidado de Mestre Cesteiro. Já um cão adulto foi encontrado enterrado dentro do próprio palácio.

Parte do esqueleto de um segundo filhote apareceu junto aos restos de um homem. Os arqueólogos acreditam que o animal foi sacrificado para servir como guardião da tumba.

Por que isso importa

Para Tomczyk, o estudo mostra que a relação das pessoas com os cães no passado era cheia de contradições. “Um animal de estimação para um grupo de pessoas podia, ao mesmo tempo, ser considerado uma praga pelos seus vizinhos mais próximos”, afirmou a pesquisadora em comunicado.

Isso ajuda a explicar por que alguns cães foram enterrados com cuidado, de forma deliberada, enquanto outros foram encontrados misturados a materiais descartados no sítio.

Parte dos ossos analisados também apresentava marcas de abate. Segundo os arqueólogos, isso sugere que esses animais não eram consumidos como alimento com frequência.

O que ainda falta saber

Os pesquisadores não detalharam a raça exata do cão mumificado, apenas que se trata de um animal sem pelos, característica de linhagens nativas do Peru que existem até hoje.

Também não há, por enquanto, uma estimativa de quantos outros enterramentos de cães podem existir em áreas do Castelo de Huarmey ainda não escavadas.

Perguntas frequentes

O que é o Império Wari?

É considerado o primeiro verdadeiro império dos Andes, com domínio sobre parte do atual Peru entre os anos 600 e 1.050 d.C., cerca de 400 anos antes do Império Inca.

Onde fica o Castelo de Huarmey?

O sítio está a 305 quilômetros ao norte de Lima, na costa norte do Peru, e é o único local do Império Wari já identificado nessa região.

Por que o cão mumificado é importante?

Ele é a primeira evidência física de cães sem pelos no Castelo de Huarmey e o espécime mais antigo já encontrado no sítio, com pelo menos 1.200 anos segundo a datação por radiocarbono.

Os cães eram comidos pelos Wari?

Alguns ossos apresentam marcas de abate, mas a quantidade encontrada sugere que esses animais não eram consumidos como alimento com frequência pelos moradores do sítio.

Com informações de Revista Galileu.
Imagem: reprodução/Revista Galileu