Pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, construíram um carro de corrida fora do comum: motor movido a biodiesel feito de resíduos de chocolate, volante com materiais de cenoura e carroceria com componentes de batata. Batizado de WorldFirst, o carro de Fórmula 3 foi apresentado em 5 de maio de 2009 com a promessa de fazer curvas a até 201 km/h.
Como funciona o carro movido a chocolate
O nome chama atenção, mas ninguém colocou uma barra de chocolate no tanque. O motor foi configurado para rodar com biodiesel produzido a partir de resíduos de chocolate combinados com óleo vegetal.
O mesmo raciocínio vale para as outras peças do carro. O volante foi fabricado com materiais derivados de cenouras e outros vegetais de raiz, não da cenoura em sua forma original.
A carroceria seguiu a mesma lógica, usando materiais obtidos a partir de batatas. Já o banco combinava fibras de linho com espuma baseada em óleo de soja, e até os lubrificantes do carro foram formulados a partir de óleos vegetais.
Quem criou o WorldFirst e por que
O projeto reuniu pesquisadores do Warwick Manufacturing Group (WMG) e do Warwick Innovative Manufacturing Research Centre. Entre os responsáveis estavam Kerry Kirwan, Steve Maggs e o gerente do projeto, James Meredith.
Para Steve Maggs, a discussão ambiental sobre carros não deveria se limitar às emissões do motor. A ideia era olhar para toda a cadeia produtiva, da escolha das matérias-primas até o descarte final do veículo.
James Meredith apresentou o WorldFirst como prova de que desempenho e materiais mais sustentáveis podem caminhar juntos. A equipe também queria mostrar à indústria automotiva tecnologias renováveis que já existiam, mas pouco usadas.
O carro teve ainda uma função educacional: servir de plataforma para que estudantes aplicassem princípios de engenharia em um veículo funcional. A equipe planejava levá-lo a escolas e exposições para aproximar o público de temas como engenharia e uso de recursos.
Por que o carro nunca correu de verdade
Apesar de seguir as demais especificações técnicas da Fórmula 3, o motor a biodiesel do WorldFirst não era aceito pelo regulamento da categoria na época. Isso significa que, mesmo construído nos padrões da classe, o carro não estava autorizado a disputar corridas oficiais naquela configuração.
Os 201 km/h também merecem uma ressalva. O número é a conversão das 125 milhas por hora anunciadas pela própria universidade como capacidade de fazer curvas, não uma velocidade máxima em linha reta medida por terceiros.
A Universidade de Warwick não divulgou detalhes do circuito, do traçado da curva usada no teste nem do procedimento para chegar a esse número. Por isso, o desempenho deve ser entendido como uma marca anunciada pela própria equipe.
Os números do WorldFirst
- 125 milhas por hora (cerca de 201 km/h): capacidade anunciada de fazer curvas
- 5 de maio de 2009: data de apresentação do carro
- Motor: biodiesel feito de resíduos de chocolate e óleo vegetal
- Volante: materiais derivados de cenoura e vegetais de raiz
- Carroceria: materiais derivados de batata
- Banco: fibras de linho e espuma à base de óleo de soja
- Lubrificantes: formulados a partir de óleos vegetais
Perguntas frequentes
O carro realmente é abastecido com chocolate?
Não. O motor usa biodiesel produzido a partir de resíduos de chocolate misturados a óleo vegetal, e não chocolate em sua forma original.
O volante é feito de cenoura de verdade?
Não diretamente. Ele é fabricado com materiais derivados de cenouras e outros vegetais de raiz, processados para uso em um componente de competição.
O WorldFirst podia competir oficialmente na Fórmula 3?
Não. Embora atendesse às demais especificações técnicas da categoria, o motor a biodiesel não era permitido pelo regulamento da Fórmula 3 na época.
Quem construiu o carro movido a chocolate?
O WorldFirst foi desenvolvido por pesquisadores do WMG e do Warwick Innovative Manufacturing Research Centre, da Universidade de Warwick, com Kerry Kirwan, Steve Maggs e James Meredith entre os responsáveis pelo projeto.
Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás

