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Prédio de 105 apartamentos ganha bateria gigante de 3,75 MWh para enfrentar apagões

Prédio de 105 apartamentos ganha bateria gigante de 3,75 MWh para enfrentar apagões

Um condomínio de 105 apartamentos em Buffalo, nos Estados Unidos, ganhou uma usina de reserva dentro do próprio prédio. O sistema armazena 3,75 megawatts-hora (MWh) de energia — equivalentes a 3.750 kWh — em sete salas de equipamentos, para o edifício enfrentar apagões e horários de energia mais cara.

O projeto foi anunciado em 20 de outubro de 2026 no Peace Bridge Place, conjunto de moradia popular cujos apartamentos são destinados a famílias com renda de até 80% da mediana da região. As empresas Viridi e Good Carbon Co. afirmam que o sistema está entre os maiores desse tipo já instalados dentro de um prédio residencial ocupado nos Estados Unidos.

Como funciona o sistema de baterias

As baterias de íons de lítio ficam em sete salas técnicas dentro do prédio, não em um galpão isolado. Um sistema de gestão decide automaticamente quando carregar ou descarregar a energia.

Não é uma pilha ligada à tomada de cada apartamento, e sim uma infraestrutura coletiva: o condomínio passa a administrar parte de sua demanda, em vez de depender só da rede no momento em que todos também consomem. O prédio também usa climatização geotérmica e aquecimento de água mais eficiente, o que ajuda a reserva a durar mais.

Por que isso importa

A lógica é carregar as baterias quando a energia está disponível e mais barata, e usá-las quando a rede fica sobrecarregada ou a tarifa sobe — processo chamado de redução de picos de demanda.

O condomínio participa de um projeto-piloto da concessionária National Grid, com tecnologia da EnergyHub, e tem apoio da agência estadual NYSERDA pelo programa Future Grid Challenge, de modernização da rede elétrica. Os responsáveis esperam contas menores e mais estabilidade, mas ainda não há resultados auditados sobre a economia real.

Quanto tempo a energia realmente dura

As empresas dizem que a reserva pode sustentar o condomínio por vários dias durante um apagão, dependendo de quais equipamentos continuam ligados e de quanta potência cada um exige.

Armazenar 3,75 MWh não garante ar-condicionado, chuveiro elétrico e todos os aparelhos funcionando sem limite por dias. Em uma falha real, a gestão do prédio deve priorizar serviços essenciais.

Risco de incêndio e as proteções testadas

Baterias de lítio podem sofrer falhas térmicas que se propagam de uma célula para outra — o principal temor ao instalar um sistema grande dentro de um prédio habitado.

A Viridi afirma ter criado barreiras físicas e materiais para isolar as células e impedir essa propagação, após seis anos e US$ 10 milhões investidos em testes, parte gasta em baterias destruídas de propósito.

Uma reportagem da Associated Press, publicada pela ABC News, mostra um teste em que uma célula foi forçada a falhar enquanto um tecido altamente inflamável cobria o equipamento: o tecido não queimou nem chamuscou. O sistema também seguiu o padrão UL 9540A, usado para avaliar propagação térmica, mas nenhum teste elimina o risco por completo.

E no Brasil, isso seria possível?

Com condomínios enfrentando contas de luz mais altas e falhas de energia em várias regiões, a ideia de um prédio com reserva própria desperta curiosidade imediata.

Mas replicar a experiência exige mais que comprar baterias: custos de instalação, tarifas locais e regras de segurança e conexão à rede mudam a conta. O caso de Buffalo é um projeto-piloto nos EUA, não um modelo pronto para condomínios brasileiros — e a bateria não gera eletricidade, só armazena o que vem da rede.

Perguntas frequentes

O que é a bateria instalada no prédio de Buffalo?

É um sistema de baterias de íons de lítio com 3,75 MWh de capacidade, instalado em sete salas dentro de um condomínio de 105 apartamentos para armazenar energia e usá-la em apagões ou horários de tarifa mais alta.

Quanto tempo a bateria consegue manter o prédio com energia?

As empresas dizem que a reserva pode durar vários dias, mas isso depende de quais aparelhos continuam ligados e de quanta energia cada um consome durante o apagão.

É seguro ter bateria de lítio dentro de um prédio ocupado?

A Viridi afirma ter criado barreiras físicas para evitar que uma falha em uma célula se espalhe para as outras, com testes seguindo o padrão UL 9540A, mas nenhum teste elimina o risco por completo.

Esse sistema pode ser usado em condomínios no Brasil?

Em tese sim, mas custos de instalação, tarifas de energia e regras de segurança e conexão à rede são diferentes no Brasil, então o projeto de Buffalo é uma referência a observar, não uma solução pronta para aplicar aqui.

Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás