Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) criaram o MixOby, uma máquina que usa eletricidade solar para tirar hidrogênio da água. O combustível vai direto para a tubulação de gás industrial, sem precisar ser guardado em tanques.
O equipamento foi apresentado em 5 de maio de 2026, na inauguração do Laboratório Modular Copa H₂, em Campo Grande (MS). A pesquisa reuniu cerca de 20 profissionais durante 20 meses.
Como funciona o MixOby
A tecnologia usa a eletrólise. Nesse processo, a eletricidade é aplicada à água para separar o hidrogênio do oxigênio.
Quando a energia vem de fonte renovável, como painéis solares, o combustível pode ser chamado de hidrogênio verde. A classificação também considera a origem da energia e as emissões do processo.
A principal característica do MixOby é produzir o hidrogênio no momento em que ele será consumido. Em vez de encher reservatórios, o sistema manda o gás para a linha de alimentação conforme as condições de operação.
Mistura com gás de cozinha
O projeto busca adicionar hidrogênio ao GLP, o gás de cozinha, que também é usado na indústria para gerar calor em fornos e equipamentos de aquecimento.
A mistura precisa ser feita em proporções controladas e atender a requisitos de segurança e funcionamento. A proporção ideal ainda depende dos resultados dos testes.
A ideia é reduzir a quantidade de combustível fóssil usada para entregar a mesma energia. O hidrogênio não tem carbono, então, ao substituir parte do GLP, pode diminuir as emissões de CO₂ dessa parcela.
A equipe também estuda o efeito sobre os óxidos de nitrogênio (NOx). Segundo a matéria, a redução desses poluentes precisa ser comprovada em cada aplicação.
Números do projeto
- Inauguração: 5 de maio de 2026, no campus da UFMS em Campo Grande;
- Equipe: cerca de 20 pesquisadores e profissionais;
- Duração: 20 meses de trabalho;
- Financiamento: R$ 3.236.423,00 da Copa Energia, com execução prevista entre 2024 e 2027;
- Meta anunciada: primeira instalação em um cliente até dezembro de 2026.
Por que isso importa
Setores como alimentos e vidro dependem de calor contínuo, muitas vezes em temperaturas altas. A Copa Energia vê essas indústrias entre as aplicações possíveis da mistura.
Armazenar hidrogênio exige cuidados, como reservatórios pressurizados e equipamentos especiais. Produzir e consumir na hora pode reduzir a necessidade de estoque intermediário em algumas instalações.
Isso não elimina a segurança. A integração com tubulações industriais ainda exige controle de pressão e vazão, detecção de vazamentos e sistemas adequados à mistura.
Uma parceria de anos
A pesquisa é do Laboratório de Tecnologias Avançadas em Energia e Sustentabilidade (LaTES), coordenado pelo professor Cauê Alves Martins. Há apoio institucional do Governo de Mato Grosso do Sul.
UFMS e Copa Energia já trabalharam juntas antes. Em 2020, estudaram o uso de GLP no Hospital Universitário. Em 2022, pesquisaram sistemas de geração elétrica. A etapa de 2026 foca na mistura de hidrogênio renovável ao GLP.
O que ainda falta
Até 2 de novembro de 2026, as fontes consultadas não confirmam que a instalação em cliente tenha sido concluída. A tecnologia segue em desenvolvimento e validação.
Também não foi divulgado um percentual de redução de custos ou de emissões válido para todos os consumidores. O custo do hidrogênio depende da energia consumida e da eficiência do sistema.
Os queimadores industriais podem precisar de ajustes para manter temperatura e estabilidade da chama com o novo combustível. A primeira instalação real deve mostrar como o equipamento se comporta fora do laboratório.
Perguntas frequentes
O que é o MixOby?
É um equipamento desenvolvido na UFMS que produz hidrogênio renovável por eletrólise e o envia direto à linha de gás industrial, misturando-o ao GLP.
O hidrogênio é armazenado?
Não. O sistema foi projetado para produzir o hidrogênio no momento do consumo, sem guardar grandes volumes.
Quando chega às indústrias?
A expectativa anunciada era instalar a primeira aplicação em um cliente da Copa Energia até dezembro de 2026. Até 2 de novembro de 2026, não havia confirmação.
Quanto custou a pesquisa?
O projeto tem financiamento de R$ 3.236.423,00 da Copa Energia, com execução prevista entre 2024 e 2027.
Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás

