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Empresa testa gerador no fundo do mar e produz eletricidade com calor de vulcão a 1.500 metros

Empresa testa gerador no fundo do mar e produz eletricidade com calor de vulcão a 1.500 metros

A empresa americana Endurance Energy instalou um gerador no fundo do oceano e o fez funcionar com o calor de um vulcão submarino. O teste produziu excedente de cerca de 2 kW de eletricidade, com pico de 16,5 kW, já descontado o consumo do próprio equipamento.

O resultado foi divulgado em 19 de outubro, em comunicado da companhia, sediada em Seattle. É a primeira vez que um sistema desse tipo mostra saldo positivo de energia, segundo a empresa.

Como funciona o gerador no fundo do mar

O experimento, chamado de Adélie, ocorreu no Axial Seamount, um vulcão submarino a cerca de 480 km da costa do Oregon, nos Estados Unidos. No local, fontes de água quente brotam do fundo do mar a cerca de 1.500 metros de profundidade.

O calor vem da rocha derretida sob o vulcão. A água do mar penetra em rachaduras, esquenta no subsolo e volta ao oceano por aberturas chamadas fontes hidrotermais.

Em terra, usinas geotérmicas já usam água quente ou vapor do subsolo para girar uma turbina, que aciona um gerador. Essa fonte não depende de sol nem de vento.

Os engenheiros perfuraram um poço de 16 metros no leito marinho, instalaram um tubo e o cimentaram. A água saiu a cerca de 260°C, mas com vazão pequena demais para alimentar o gerador.

A solução foi conectar o Adélie a uma fonte natural próxima. No teste de 27 de setembro, a água estava a cerca de 281°C. Por causa da alta pressão nessa profundidade, ela continua líquida bem acima dos 100°C da fervura na superfície.

Os números do teste

A equipe controlou tudo de Seattle. A conexão veio da Regional Cabled Array, rede de cabos submarinos da Universidade de Washington que já monitora o vulcão.

Por que isso importa

Outros pesquisadores já tinham gerado eletricidade em fontes do fundo do mar. Um estudo de 2016 na revista Applied Energy descreveu um equipamento chinês que produzia de 2,6 a 3,9 watts de forma contínua, o suficiente para um registrador de dados e uma lâmpada de LED.

O Adélie trabalha em outra escala, na casa dos quilowatts. O objetivo da Endurance é abastecer clientes em terra. O primeiro projeto comercial está sendo desenvolvido em Tonga, país insular do Pacífico cuja rede elétrica depende em grande parte de diesel importado. A meta é ter a primeira energia em 2027.

O que ainda falta

O teste foi curto. Ele terminou quando um sistema de segurança, que protege a bateria contra corrente excessiva, foi acionado. Cerca de 10 minutos depois, um cabo de alimentação da bomba falhou durante uma tentativa de reiniciar.

O próximo equipamento, o Gentoo, é um gerador de teste de 100 kW, versão aprimorada do Adélie. Ele deve ser instalado neste inverno, com a meta de mais potência e operação mais longa. A empresa também terá uma nova perfuratriz no ano que vem, que chegará a 500 metros de profundidade, contra os 80 metros da atual.

Há ressalvas importantes. Os números não incluem a energia gasta com transporte, perfuração e instalação. As medições vêm da própria empresa, sem artigo científico revisado por pares. Falta ainda comprovar geração sustentada em um poço perfurado e equipamentos que operem por meses ou anos.

Também há dúvidas ambientais. Micróbios das fontes usam substâncias químicas como energia, e vermes tubulares e outros animais dependem deles. A empresa diz que escolheu um ponto longe das chaminés e dos animais, e que o monitoramento não achou mudança relevante na vida local. Mais de 40 amostras de água, rocha e minerais foram enviadas a laboratórios independentes. O CEO Andrew Redd reconhece que sistemas maiores, operando por anos, podem afetar a água, as comunidades biológicas e o habitat.

Perguntas frequentes

O vulcão submarino realmente gerou mais energia do que consumiu?

Sim, mas por pouco tempo. Segundo a Endurance, o saldo positivo durou 8,7 segundos, com excedente mediano de cerca de 2 kW e pico de 16,5 kW.

Onde foi feito o teste?

No Axial Seamount, vulcão submarino a cerca de 480 km da costa do Oregon, nos EUA, a aproximadamente 1.500 metros de profundidade.

Quando essa energia chegará às pessoas?

A empresa mira Tonga, no Pacífico, com a primeira energia prevista para 2027. Antes disso, precisa provar operação contínua e confiável por longos períodos.

Os resultados foram confirmados por cientistas independentes?

Ainda não. As medições são da própria empresa e não há artigo revisado por pares.

Com informações de ScienceAlert.
Imagem: reprodução/ScienceAlert