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China liga usina eólica de 100 MW com 18 turbinas no Tibete a 5.020 metros de altitude

China liga usina eólica de 100 MW com 18 turbinas no Tibete a 5.020 metros de altitude

A China colocou em operação uma das usinas eólicas mais altas do mundo: o parque de Jicuo, no Tibete, tem 18 turbinas, cerca de 100 MW de potência e fica a 5.020 metros de altitude média. O projeto é da estatal CHN Energy e foi conectado à rede elétrica em outubro de 2026.

Para chegar lá, foram mais de dois anos de obras em um lugar de ar rarefeito, frio intenso e ventos que chegam a parar os guindastes.

Como funciona a usina de Jicuo

O parque fica na cidade de Nagqu, na Região Autônoma do Tibete. As turbinas estão espalhadas entre 4.850 e 5.127 metros acima do nível do mar, e cada uma tem capacidade de 5,56 MW.

Em altitudes tão grandes, o ar é menos denso. Isso significa menos massa de ar passando pelas pás com o mesmo vento, e uma turbina comum captaria menos energia do que no nível do mar.

Para compensar, os rotores têm cerca de 200 metros de diâmetro. Quanto maior a área varrida pelas pás, mais energia do vento é aproveitada. Os sistemas de controle também foram ajustados para lidar com rajadas e turbulências da região.

Baterias ajudam a estabilizar a rede

Além das turbinas, o empreendimento tem um sistema de armazenamento de 20 MW de potência e 80 MWh de capacidade. Em condições nominais, as baterias entregam 20 MW por cerca de quatro horas, mas o tempo real depende da operação.

A energia eólica oscila conforme o vento. As baterias guardam parte da geração e ajudam a suavizar essas variações.

O sistema é do tipo formador de rede, que também contribui para controlar tensão e frequência. Isso é útil em áreas afastadas, onde a infraestrutura elétrica costuma ser mais limitada.

Os desafios da obra

A construção começou em 31 de julho de 2024 e enfrentou problemas que quase não aparecem em parques de baixa altitude.

Para o concreto, os engenheiros ajustaram a composição e melhoraram o controle de temperatura, lançamento e cura do material.

No transporte, a solução foi uma rota alternativa que atravessava Xinjiang e regiões pouco habitadas do país. Já a montagem usou monitoramento do vento em tempo real para achar os melhores intervalos de içamento.

Segundo a PowerChina, uma das empresas participantes, os trabalhadores contaram com fornecimento de oxigênio e atendimento de emergência no canteiro. A CHN Energy diz ainda ter adotado técnicas para preservar a vegetação do planalto e permitir a recuperação das áreas afetadas.

Principais números

Por que isso importa

A CHN Energy descreve Jicuo como o maior empreendimento integrado de energia eólica e armazenamento em regiões de altitude extremamente elevada da China.

A empresa espera que a eletricidade reforce o abastecimento de Nagqu, principalmente no inverno, quando aumentam as necessidades de aquecimento e o acesso a algumas áreas fica mais difícil.

O projeto também deve servir de referência para novas usinas eólicas com armazenamento em ambientes de altitude extrema. O desafio ali não é só aproveitar o vento, mas construir estruturas que resistam ao planalto.

O que ainda falta

Os 211 milhões de kWh por ano são uma estimativa de geração futura, não um volume já produzido desde o início da operação. Só o funcionamento ao longo dos próximos anos mostrará se a meta se confirma.

Perguntas frequentes

Onde fica a usina eólica de Jicuo?

Na cidade de Nagqu, na Região Autônoma do Tibete, na China, a 5.020 metros de altitude média.

Qual é a potência da usina?

Cerca de 100 MW, com 18 turbinas de 5,56 MW cada, além de baterias de 20 MW e 80 MWh.

Quanta energia o parque deve gerar?

A CHN Energy prevê cerca de 211 milhões de kWh por ano. É uma estimativa, não um valor já medido.

Por que turbinas em grande altitude geram menos energia?

Porque o ar é mais rarefeito. Com menos massa de ar passando pelas pás, a mesma velocidade de vento rende menos energia. Por isso as turbinas de Jicuo usam rotores de cerca de 200 metros.

Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás