A Prefeitura de Niterói (RJ) transformou uma encosta com histórico de deslizamentos e queimadas no Parque Solar do Morro do Boa Vista, com mais de 2 mil placas fotovoltaicas. A energia gerada é suficiente para abastecer 19 creches da cidade, segundo os responsáveis pelo projeto.
A usina foi inaugurada no sábado, 4 de julho de 2026, e ocupa cerca de 36 mil metros quadrados, o equivalente a uns cinco campos de futebol.
Como funciona a usina no morro
Os módulos fotovoltaicos são as placas que transformam luz do sol em eletricidade. Aqui, eles foram instalados sobre um terreno frágil, que sofria com chuva forte e fogo no mato.
O projeto não se resume às placas. Ele inclui recuperação da vegetação, drenagem e um sistema de reaproveitamento da água da chuva com capacidade para cerca de 30 mil litros.
Essa água tem três usos: lavar as placas, reforçar o combate a incêndios e proteger a encosta contra a erosão. A posição dos módulos foi pensada junto com a drenagem, para reduzir a força da água que escorre em dia de temporal.
A obra foi coordenada pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil. O secretário Walace Medeiros chamou o parque de “cinturão de proteção da região”.
Os números da usina
- Área: cerca de 36 mil m²
- Placas: mais de 2 mil módulos fotovoltaicos
- Potência instalada: cerca de 1,5 megawatt
- Geração prevista: cerca de 150 mil kWh por mês (1,8 milhão de kWh por ano)
- Atendimento: 19 creches da cidade
- Reservatório de chuva: cerca de 30 mil litros
- Custo da obra: R$ 7,7 milhões
- Economia estimada: R$ 1,6 milhão por ano nas contas de luz do município
Quanto custou e quando se paga
A obra custou R$ 7,7 milhões. A prefeitura estima economizar R$ 1,6 milhão por ano na conta de luz de prédios públicos.
Pela divisão simples desses dois valores, o investimento se paga em menos de cinco anos de economia. É uma conta aproximada feita a partir das estimativas da prefeitura.
A energia não reduz a conta de luz das casas do morro. Ela vai para a rede da distribuidora, a Enel Rio, parceira do projeto, e vira crédito para escolas, creches e outros prédios do município.
Por que isso importa
O parque junta, no mesmo lugar, geração de energia renovável, captação de água e redução de risco de deslizamento. Foi assim que o professor Lino Marujo, da Escola Politécnica da UFRJ, resumiu a iniciativa à Agência Brasil.
Na comunidade vivem quase 1,8 mil moradores, pelo Censo 2022 do IBGE. Para eles, o ganho direto é a encosta mais firme, a água guardada para o combate ao fogo e o reflorestamento.
Cerca de 20% dos trabalhadores da obra eram moradores da própria comunidade, segundo a prefeitura. Para a administração municipal, Niterói é a primeira cidade do país com uma usina solar municipal instalada dentro de uma comunidade.
O que ainda falta
O projeto atrasou cerca de dez meses em relação ao prazo anunciado em maio de 2025. A ideia é antiga: o Encosta Verde venceu o Prêmio Lidera Rio de 2018, e foram oito anos até a inauguração.
O Morro do Boa Vista funciona como projeto-piloto. Dependendo da avaliação, o modelo pode chegar a outras comunidades de Niterói com risco de deslizamento.
No dia da inauguração, o prefeito Rodrigo Neves também anunciou novas obras de contenção de encostas no morro, que já tinha recebido drenagem e estabilização de taludes.
Perguntas frequentes
Quantas placas tem a usina solar de Niterói?
São mais de 2 mil módulos fotovoltaicos, distribuídos por cerca de 36 mil metros quadrados no Morro do Boa Vista.
Quanta energia o parque solar vai gerar?
A previsão é de cerca de 150 mil kWh por mês, ou 1,8 milhão de kWh por ano, suficiente para 19 creches.
Os moradores do morro vão pagar menos de luz?
Não. A energia vira crédito para prédios e equipamentos públicos do município, como escolas e creches, e não para as casas do entorno.
Quanto custou a obra?
A obra custou R$ 7,7 milhões. A prefeitura estima economizar R$ 1,6 milhão por ano nas contas de luz.
Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás

