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Pesquisadores criam biobateria de bactérias inspirada no intestino com 8 vezes mais energia

Pesquisadores criam biobateria de bactérias inspirada no intestino com 8 vezes mais energia

Pesquisadores da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, criaram uma biobateria movida a bactérias inspirada no intestino delgado humano. O novo projeto gera mais de 8 vezes mais eletricidade por volume do que um modelo plano comparável.

A ideia foi copiar as vilosidades, aquelas pequenas projeções em forma de dedo que revestem o intestino, para dar mais espaço e um ambiente melhor aos microrganismos que produzem energia.

Como funciona a biobateria

O dispositivo é uma célula a combustível microbiana. Ela usa microrganismos vivos para transformar a energia química da matéria orgânica em eletricidade.

Certas bactérias, ao quebrar compostos orgânicos no metabolismo, liberam elétrons. Um eletrodo chamado ânodo coleta esses elétrons, que percorrem um circuito externo até o cátodo e geram corrente elétrica. Enquanto as bactérias estiverem ativas e bem alimentadas, o sistema continua produzindo energia.

O problema dos eletrodos planos é a pouca área para as bactérias se fixarem. Materiais porosos ajudam, mas as bactérias formam biofilmes que podem entupir os poros, bloquear nutrientes e acumular resíduos.

O que a equipe construiu

O grupo, liderado pelo professor Seokheun Choi, criou pilares flexíveis em forma de dedo, cobertos por um hidrogel condutor de eletricidade. O material combina álcool polivinílico, o polímero condutor PEDOT e óxido de grafeno reduzido.

Dentro dessas vilosidades artificiais, os pesquisadores colocaram esporos dormentes da bactéria Bacillus subtilis, capaz de transferir elétrons para fora da célula. Ao receber uma solução nutritiva, os esporos despertam e começam a gerar energia.

O ânodo de hidrogel foi montado em uma célula completa, com cátodo de tecido de carbono modificado e uma membrana de troca iônica separando os dois lados.

A equipe fabricou e testou 24 configurações, com alturas e raios diferentes de pilar. Também criou adesivos flexíveis com várias vilosidades e os testou em um tubo simulando uma tubulação de esgoto.

Os números do estudo

Os resultados foram publicados na revista científica Small:

A comparação vale apenas para o modelo plano da equipe, não para todas as células microbianas já criadas.

Por que isso importa

Células microbianas ainda ficam, em grande parte, restritas a laboratórios, projetos-piloto e usos específicos, em parte por causa da baixa potência. Resolver o espaço para as bactérias é um passo para melhorar isso.

A aplicação mais promissora é o monitoramento ambiental autoalimentado. O esgoto tem matéria orgânica que bactérias podem metabolizar, então sensores dentro de tubulações poderiam tirar energia do próprio fluxo. Os adesivos flexíveis de hidrogel se ajustariam às paredes curvas dos canos.

Vale lembrar que o teste usou uma solução nutritiva que imita esgoto, não esgoto real.

O que ainda falta

Um microwatt é um milionésimo de watt. Mesmo melhorada, a bateria está muito longe de alimentar eletrônicos de consumo comuns.

Ampliar a tecnologia, com adesivos maiores ou várias biobaterias ligadas, também traz desafios. Aumentar o tamanho não eleva a potência na mesma proporção, pois distribuição de nutrientes e resistência interna influenciam o desempenho.

A equipe trabalha agora em um processo de impressão em uma única etapa, que facilite a produção em escala, e quer aproximar as vilosidades artificiais do ambiente físico e químico do intestino.

Perguntas frequentes

O que é uma biobateria?

É uma célula a combustível microbiana, que usa bactérias vivas para converter a energia química de matéria orgânica em eletricidade.

Por que o intestino serviu de inspiração?

As vilosidades aumentam muito a área de superfície e permitem o fluxo de nutrientes em um ambiente hidratado, características úteis para as bactérias geradoras de energia.

Essa bateria pode carregar um celular?

Não. A potência medida é de microwatts, muito baixa para eletrônicos de consumo comuns.

Para que ela pode servir?

A aplicação mais promissora é alimentar sensores de monitoramento ambiental dentro de tubulações de esgoto, aproveitando a matéria orgânica que passa por elas.

Com informações de New Atlas.
Imagem: reprodução/New Atlas