A chinesa Hina Battery quer tirar a bateria de sódio do laboratório e colocá-la em caminhões elétricos. A empresa assinou, em 14 de outubro, um acordo para uma fábrica com capacidade planejada de 10 GWh por ano.
Ao mesmo tempo, fechou parceria para desenvolver veículos de serviços urbanos movidos a essa tecnologia, que pode ser uma alternativa mais barata ao lítio.
O que a Hina anunciou
O acordo foi firmado com o distrito de Jiangxia, em Wuhan, para criar uma base de produção de baterias de íon-sódio. A primeira fase deve ter 3 GWh de capacidade.
As obras estão previstas para o início de 2027. A produção inicial é esperada antes do fim do mesmo ano.
O projeto foi apresentado durante o quarto Simpósio Nacional de Baterias de Sódio. O evento mostrou o esforço da China para levar a tecnologia da pesquisa para a fabricação em escala maior.
Caminhões de lixo movidos a sódio
A Hina também assinou um acordo separado com o grupo Chengli Special Automobile Group. O objetivo é desenvolver veículos de saneamento movidos a baterias de sódio.
A linha planejada inclui:
- caminhões de coleta de lixo;
- veículos com sistema hook-lift (que levantam e transportam caçambas);
- caminhões de supressão de poeira;
- veículos de coleta de resíduos de alimentos.
Como funciona a bateria de sódio
A bateria de íon-sódio segue a mesma lógica da de íon-lítio. A diferença é que usa sódio, em vez de lítio, como elemento que se move entre os eletrodos para armazenar e liberar energia.
O sódio é distribuído de forma mais ampla pelo planeta do que o lítio. Isso pode dar aos fabricantes um fornecimento de matéria-prima mais diversificado.
Há ainda a possibilidade de melhor desempenho em baixas temperaturas, segundo a matéria-fonte.
Os números em jogo
- 10 GWh por ano: capacidade total planejada da fábrica em Wuhan;
- 3 GWh: capacidade da primeira fase;
- Início de 2027: começo previsto das obras;
- Fim de 2027: meta para a produção inicial;
- Cerca de US$ 13.500 por tonelada: preço médio do carbonato de lítio grau bateria em 28 de outubro;
- Cerca de 5,7 centavos de dólar por Wh: preço médio das células prismáticas de LFP (fosfato de ferro-lítio) para carros elétricos em 22 de outubro.
Por que isso importa
O lítio é a base da maioria das baterias de veículos elétricos hoje. Uma alternativa com matéria-prima mais abundante pode reduzir a dependência de um único material.
Os preços do lítio e das células LFP servem de régua para o sódio. Para competir, a nova tecnologia precisa chegar a um custo atrativo diante desses valores.
Caminhões de serviços urbanos são um bom teste. Eles rodam em rotas conhecidas e voltam todos os dias à garagem, o que facilita a recarga.
O que ainda falta
A isenção fiscal dá aos fabricantes de baterias de sódio uma vantagem temporária. Mas isso não significa, automaticamente, que o produto seja mais barato de fabricar.
Além disso, a cadeia de suprimentos de sódio continua concentrada na China, principalmente na fabricação das células, nos materiais do cátodo e na produção de carbono duro.
A principal limitação é a menor densidade de energia. Na prática, isso pode exigir baterias maiores ou mais pesadas para armazenar a mesma quantidade de energia.
Perguntas frequentes
O que a Hina Battery anunciou?
Um acordo para uma base de produção de baterias de sódio em Wuhan, com capacidade planejada de 10 GWh por ano. A primeira fase terá 3 GWh.
Quando a fábrica deve começar a produzir?
As obras devem começar no início de 2027. A produção inicial é esperada antes do fim de 2027.
Que veículos vão usar a bateria de sódio?
A Hina trabalha com a Chengli Special Automobile Group em veículos de saneamento. Entre eles estão caminhões de coleta de lixo, de supressão de poeira e de resíduos de alimentos.
Qual é a principal desvantagem da bateria de sódio?
A menor densidade de energia. Para armazenar a mesma energia, o pacote de baterias pode ficar maior ou mais pesado do que o de lítio.
Com informações de Interesting Engineering.

