Estados Unidos detonam bomba nuclear a 1.288 metros de profundidade para extrair gás
Em 10 de dezembro de 1967, os Estados Unidos detonaram um artefato nuclear a 1.288 metros de profundidade no Novo México. O objetivo do Projeto Gasbuggy era descobrir se uma explosão subterrânea conseguiria fraturar rochas e facilitar a extração de gás natural.
Como funcionou a explosão subterrânea
O teste aconteceu na Floresta Nacional Carson, no noroeste do estado, perto do Leandro Canyon. A região já era conhecida por ter depósitos de gás natural presos em camadas de arenito, no subsolo.
O dispositivo detonado tinha potência equivalente a 29 quilotons de TNT, ou 29 mil toneladas desse explosivo convencional, segundo a ficha oficial do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE).
A explosão abriu uma cavidade no subsolo, que depois foi preenchida pelo desabamento de rochas fragmentadas. A ideia era que o gás circulasse pelas fraturas criadas pela bomba e se acumulasse nessa estrutura, facilitando a extração.
Por que os Estados Unidos tentaram essa técnica
O Gasbuggy fazia parte do programa Plowshare, criado pelo governo americano para estudar usos pacíficos da energia nuclear, fora de aplicações militares.
O projeto foi patrocinado pela Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, pelo Departamento do Interior e pela empresa El Paso Natural Gas. A pergunta que guiava o experimento era direta: uma detonação subterrânea conseguiria fraturar as rochas de um jeito útil para a extração do gás?
Quanto gás foi extraído e por que o teste não resolveu o problema
Entre julho de 1968 e outubro de 1969, cinco rodadas de testes de produção tiraram do poço 213 milhões de pés cúbicos de gás, o equivalente a cerca de 6 milhões de metros cúbicos, segundo o DOE.
O volume superou o de poços convencionais vizinhos. Mas havia um problema grave: o gás saía com quantidades mensuráveis de radioatividade.
O combustível também tinha poder calorífico menor do que o esperado, e a quantidade de fraturas abertas na rocha ficou abaixo do previsto pelos engenheiros. Conseguir mais gás não bastava: a técnica precisava ser segura e eficiente para valer como solução comercial.
O que aconteceu depois do Gasbuggy
A radioatividade elevada se repetiu em dois testes posteriores, feitos no oeste do Colorado: o Projeto Rulison, em 1969, e o Projeto Rio Blanco, em 1973.
No Rio Blanco, as estruturas subterrâneas abertas pelas explosões também não atenderam às expectativas. Pouco depois desse teste, o financiamento do programa Plowshare se esgotou.
Os Estados Unidos decidiram não fazer novos testes em Gasbuggy em 1976. Os equipamentos foram retirados e os poços, vedados; a recuperação final da superfície só terminou em setembro de 2004.
Hoje o local é monitorado pelo Office of Legacy Management. O DOE registra contaminação remanescente na zona da detonação, mas diz que as amostras feitas regularmente nos poços de gás em produção ao redor ainda não encontraram radionuclídeos ligados ao teste.
- Profundidade da detonação: 1.288 metros (4.227 pés)
- Data do teste: 10 de dezembro de 1967
- Potência do artefato: 29 quilotons de TNT (29 mil toneladas)
- Gás extraído entre 1968 e 1969: 213 milhões de pés cúbicos (cerca de 6 milhões de m³)
- Decisão de encerrar os testes no local: 1976
- Recuperação final da superfície concluída: setembro de 2004
Perguntas frequentes
O que foi o Projeto Gasbuggy?
Foi um teste do governo dos Estados Unidos que detonou uma bomba nuclear a 1.288 metros de profundidade no Novo México, em 1967, para tentar usar a explosão para fraturar rochas e liberar gás natural.
O teste conseguiu extrair gás?
Sim. Entre 1968 e 1969, o poço produziu 213 milhões de pés cúbicos de gás, mais do que poços convencionais da região. Mas o combustível saía com radioatividade mensurável.
O local ainda tem radioatividade?
O Departamento de Energia dos Estados Unidos registra contaminação remanescente na zona onde a bomba foi detonada. Mas as amostras feitas nos poços de gás em produção ao redor não encontraram radionuclídeos ligados ao teste.
Houve outros testes nucleares parecidos?
Sim. O Projeto Rulison, em 1969, e o Projeto Rio Blanco, em 1973, ambos no Colorado, testaram a mesma técnica de fraturamento com explosões nucleares, e também tiveram problemas de radioatividade elevada.
Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás




