Frota de ônibus escolares elétricos abastece 1.000 casas nos EUA e ainda dá lucro
Uma frota de 74 ônibus escolares elétricos em Oakland, na Califórnia, funciona há dois anos como uma pequena usina. Os veículos devolvem energia para a rede elétrica todos os dias e já conseguem abastecer cerca de 1.000 casas, além de gerar receita para quem opera o serviço.
A tecnologia por trás disso se chama vehicle-to-grid, ou V2G. Carros e ônibus elétricos não apenas consomem eletricidade, eles também podem devolvê-la à rede no momento em que ela é mais necessária. O projeto é tocado pela fabricante de carregadores Tellus Power, de Irvine, na Califórnia, em parceria com a operadora de frotas Zum.
Como funciona o sistema V2G nos ônibus
Os ônibus são carregados durante a madrugada, quando a energia costuma ser mais barata. Ao longo do dia letivo, eles usam entre 20% e 40% da carga para rodar as rotas escolares.
No fim da tarde, já de volta à garagem, os ônibus são conectados a carregadores bidirecionais da Tellus Power. Em vez de só carregar, eles devolvem parte da energia armazenada para a rede justamente no horário em que o consumo residencial dispara, quando as pessoas chegam em casa e ligam ar-condicionado, fogão e luzes.
Em feriados e no verão, quando a rede elétrica da Califórnia fica mais sobrecarregada, os ônibus podem funcionar como reserva de energia o dia inteiro.
Os números por trás do projeto
Depois de dois anos de operação, a Tellus Power e a Zum já têm dados concretos sobre o desempenho da frota. Os principais números são:
- 74 ônibus elétricos somam 11,5 MWh de capacidade de armazenamento de energia
- A frota consegue descarregar cerca de 2 megawatts de potência ao mesmo tempo
- Uma casa consome em média 2 quilowatts à noite, o que permite abastecer cerca de 1.000 residências
- Em dois anos, os ônibus já devolveram 1,7 GWh de energia para a rede elétrica
- O sistema operou com 99,5% de disponibilidade ao longo do período
- O projeto já gerou centenas de milhares de dólares em eletricidade vendida à rede
Por que isso importa
O mecanismo funciona como uma espécie de arbitragem de energia: a Zum compra eletricidade barata de madrugada para carregar os ônibus e vende energia mais cara no fim da tarde, quando a demanda sobe. É essa diferença de preço que transforma o projeto em fonte de receita, e não só de economia.
Segundo a Tellus Power, um sistema V2G numa garagem de frota pode ser instalado em questão de meses, contra anos necessários para construir uma usina convencional e ligá-la à rede. A empresa diz que seus carregadores dispensam grandes transformadores no local, o que reduz custo e tempo de instalação.
A Comissão de Energia da Califórnia estima que, se a tecnologia vehicle-to-home fosse adotada em larga escala, poderia cortar até 5 gigawatts da demanda de pico no estado e economizar algumas centenas de dólares por casa a cada verão.
O que ainda falta
O projeto de Oakland foi o primeiro grande teste da Tellus Power, mas já existem outras instalações em andamento: 4 ônibus elétricos em Burlington, no estado americano de Vermont; 2 carregadores para ônibus urbanos da Lynch Bus Lines em Burnaby, no Canadá; um piloto em três escolas para a concessionária ComEd, em Illinois; e uma frota de 104 ônibus escolares em San Francisco, que deve crescer para 238 veículos.
Se o modelo fosse replicado em boa parte dos distritos escolares da Califórnia, algo como 100 distritos, a capacidade instalada poderia chegar a 200 megawatts, o suficiente para reduzir a dependência de usinas de pico movidas a gás.
A Tellus Power já mira o próximo alvo: caminhões de lixo elétricos, que têm rotina de uso parecida com a dos ônibus escolares e também poderiam gerar receita extra com serviços de rede.
Perguntas frequentes
O que é a tecnologia vehicle-to-grid (V2G)?
É a capacidade de um veículo elétrico devolver energia para a rede elétrica, e não só consumi-la. A bateria do carro ou ônibus funciona como uma pequena usina móvel nos horários em que a eletricidade é mais necessária.
Quantas casas os ônibus elétricos conseguem abastecer?
Cerca de 1.000 residências, considerando que a frota descarrega cerca de 2 megawatts de potência e que uma casa consome em média 2 quilowatts à noite.
Quem ganha dinheiro com o projeto?
A Zum, operadora da frota de ônibus escolares, lucra comprando energia barata à noite para carregar os veículos e vendendo energia mais cara à rede no fim da tarde.
Onde mais essa tecnologia está sendo usada?
Além de Oakland, a Tellus Power tem projetos em Burlington (Vermont), Burnaby (Canadá), Illinois e San Francisco, onde uma frota de 104 ônibus escolares deve crescer para 238 veículos.




