Sustentabilidade

Empresa cria fábrica que transforma água e ar em 530 mil toneladas de fertilizante

A Atlas Fertilizantes deu início à etapa final de engenharia de uma fábrica de US$ 1,1 bilhão em Uberaba (MG) que vai produzir fertilizante usando apenas água, ar e energia solar e eólica. A unidade deve fabricar 530 mil toneladas de nitrato de amônio por ano, com operação comercial prevista para 2031.

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Como funciona a fábrica

O processo começa com eletricidade de fontes solar e eólica, que separa a água em hidrogênio e oxigênio por eletrólise. Esse hidrogênio verde substitui o hidrogênio de origem fóssil usado hoje pela maior parte da indústria, que normalmente depende de gás natural.

Em seguida, o hidrogênio verde se junta ao nitrogênio retirado do próprio ar, em um processo chamado Haber-Bosch, uma tecnologia com mais de cem anos usada para fabricar amônia. Parte dessa amônia vira ácido nítrico, que reage com o restante da amônia e forma o nitrato de amônio, o fertilizante final.

O resultado é um adubo quimicamente igual ao convencional, mas produzido sem depender do gás natural para gerar o hidrogênio. Segundo a empresa, o projeto deve evitar cerca de 1,1 milhão de toneladas de CO2 equivalente por ano.

Quanto custa e quando chega

A fábrica está orçada em US$ 1,1 bilhão e vai precisar de 300 megawatts de energia renovável, já contratados com a Casa dos Ventos. A unidade também vai captar 800 metros cúbicos de água por hora do Rio Grande, a cerca de dois quilômetros do terreno.

Segundo o CEO da Atlas, Lieven Cooreman, essa retirada representa menos de 1% da vazão do rio, e a empresa já obteve autorização para usar essa água. A construção deve levar cerca de 36 meses.

Antes de a obra começar, a Atlas precisa vencer três etapas. A primeira é o pedido de acesso à rede elétrica, previsto para janeiro de 2027.

A segunda é fechar contratos de compra futura, os chamados offtakes: hoje a empresa já tem 22% da produção garantida em contratos vinculantes e negocia outros 32%, com a meta de chegar a 60%-70% comprometido antes de buscar o financiamento definitivo. A terceira etapa é o dinheiro: a Atlas negocia recursos com o BNDES, bancos multilaterais e comerciais, mas o financiamento ainda não foi fechado. A decisão final de investimento está projetada para o fim de 2027.

Por que isso importa

Mais de 95% dos fertilizantes nitrogenados consumidos no Brasil vêm do exterior, segundo Cooreman. A produção nacional hoje concorre com fornecedores estrangeiros que usam gás natural a preços competitivos, muitas vezes subsidiado.

Por isso, o nitrato de amônio feito em Uberaba vai precisar chegar ao agricultor com preço equivalente ao do produto importado, segundo o executivo. A fábrica também deve gerar cerca de 2 mil empregos durante a construção e 540 postos na operação, incluindo terceirizados.

A Atlas afirma que o projeto será pioneiro no mundo nessa escala de produção de fertilizante com hidrogênio verde. No Paraguai, a empresa ATOME desenvolve uma planta semelhante, orçada em US$ 665 milhões, com capacidade de 260 mil toneladas por ano — pouco menos da metade do que a Atlas planeja produzir em Uberaba.

O que ainda falta

Além de concluir a engenharia, a Atlas Fertilizantes ainda precisa avançar nos contratos de energia e água, fechar os offtakes que faltam e destravar o financiamento junto a bancos de desenvolvimento e instituições multilaterais. Gustavo Horbach assumiu como Head Global de Engenharia e Projetos para conduzir essa fase.

Só depois que o acesso à rede elétrica, os contratos de venda e o dinheiro estiverem resolvidos é que a construção de 36 meses deve começar, levando a fábrica à operação comercial em 2031.

Principais números do projeto

  • US$ 1,1 bilhão: investimento total da fábrica em Uberaba (MG)
  • 530 mil toneladas de nitrato de amônio por ano: capacidade de produção prevista
  • 225 mil toneladas de amônia e 42 mil toneladas de hidrogênio verde por ano: produção intermediária
  • 300 megawatts de energia renovável contratados com a Casa dos Ventos
  • 800 metros cúbicos de água por hora captados do Rio Grande
  • 1,1 milhão de toneladas de CO2 equivalente evitadas por ano, segundo a empresa
  • 2 mil empregos na construção e 540 na operação, incluindo terceirizados
  • 36 meses de obra, com decisão final de investimento prevista para o fim de 2027
  • 2031: ano previsto para o início da operação comercial

Perguntas frequentes

O que é o nitrato de amônio produzido pela Atlas Fertilizantes?

É um fertilizante nitrogenado quimicamente igual ao convencional, mas fabricado a partir de hidrogênio verde em vez de hidrogênio obtido do gás natural.

Como a fábrica consegue fazer fertilizante só com água, ar e energia solar e eólica?

A eletricidade solar e eólica separa a água em hidrogênio e oxigênio por eletrólise. O hidrogênio verde se junta ao nitrogênio do ar no processo Haber-Bosch para formar amônia, que depois vira nitrato de amônio.

Quando a fábrica da Atlas Fertilizantes vai começar a operar?

A operação comercial está prevista para 2031. Antes disso, a empresa precisa concluir contratos de energia, água e financiamento, além dos 36 meses de construção.

Quem vai financiar o projeto de US$ 1,1 bilhão em Uberaba?

A Atlas Fertilizantes negocia recursos com o BNDES, bancos multilaterais e comerciais, mas o financiamento ainda não foi contratado. A decisão final de investimento está projetada para o fim de 2027.

Com informações de Click Petróleo e Gás.

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