Cientistas de Cambridge criam sensor óptico de R$ 50 que mede glicose sem agulhas
Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, criaram um sensor óptico capaz de medir a glicose no sangue sem precisar furar a pele. O dispositivo, desenvolvido em parceria com a startup GlitterinTech, custa cerca de US$ 10 (em torno de R$ 50) para ser produzido e tem potencial para ser incorporado a relógios inteligentes e outros aparelhos portáteis.
Como funciona o sensor
O equipamento é um espectrômetro óptico, instrumento que usa a luz para identificar substâncias e medir sua composição. Essa tecnologia já existe há décadas em laboratórios, mas os aparelhos tradicionais costumam ser caros, grandes e difíceis de miniaturizar sem perder precisão.
Para resolver esse problema, a equipe criou um modelo chamado espectrômetro convolucional. Em vez de separar a luz em diferentes comprimentos de onda, como fazem os modelos convencionais, ele usa uma sequência de componentes ópticos e aplica cálculos matemáticos aos sinais captados.
Construído com nitreto de silício — material que conduz luz em circuitos minúsculos —, o sensor mede apenas alguns centímetros de diâmetro e processa cada medição em menos de um segundo.
O que os testes mostraram
Em artigo publicado em abril na revista Nature Photonics, os cientistas descrevem como o sensor conseguiu acompanhar os níveis de glicose de um participante por um período prolongado, sem necessidade de coletar sangue.
O dispositivo também mediu lactato sanguíneo, álcool no sangue e umidade da pele — indicadores biológicos usados para monitorar a saúde. Em outro conjunto de testes, classificou corretamente 100% das amostras de plásticos, produtos farmacêuticos, café, farinha e chá.
Ao medir concentrações de substâncias em soluções aquosas e orgânicas, o sensor alcançou precisão de aproximadamente 0,01%, superando o desempenho de espectrômetros comerciais de bancada usados na comparação.
Por que isso importa
Para quem tem diabetes, monitorar a glicose costuma significar picadas diárias no dedo ou o uso de sensores inseridos sob a pele. Um sensor barato e sem agulhas poderia tornar esse acompanhamento mais simples e menos invasivo.
“Essas demonstrações biomédicas são particularmente empolgantes”, diz Qixiang Cheng, professor que liderou o estudo, segundo comunicado da universidade. Richard Penty, outro pesquisador envolvido, afirma que a combinação de estrutura simples e alto desempenho pode facilitar a produção em escala.
O sensor também funcionou em temperaturas entre -20°C e 80°C, faixa que amplia seu uso para ambientes industriais e externos, além de aplicações em controle de qualidade e análises ambientais.
O que ainda falta
O teste de glicose prolongado foi feito em apenas um participante, o que não comprova que o sensor já possa substituir os métodos atuais de monitoramento. Serão necessários estudos com grupos maiores e em diferentes condições de uso.
Os R$ 50 estimados cobrem apenas a produção do componente óptico, não o preço de um produto final para o consumidor. Transformar o sensor em um dispositivo vestível vendido ao público ainda exige etapas de calibração, eletrônica embarcada e certificação para uso médico.
- Custo de produção do sensor: cerca de US$ 10 (aproximadamente R$ 50)
- Diâmetro do dispositivo: apenas alguns centímetros
- Tempo de processamento: menos de 1 segundo por medição
- Faixa de temperatura testada: -20°C a 80°C
- Precisão em soluções aquosas e orgânicas: cerca de 0,01%
- Taxa de acerto ao identificar plásticos, farmacêuticos, café, farinha e chá: 100%
- Estudo publicado em abril na revista Nature Photonics
Perguntas frequentes
O sensor já pode substituir o furo no dedo para medir glicose?
Ainda não. O teste prolongado sem coleta de sangue foi feito em apenas uma pessoa, e os pesquisadores afirmam que são necessários estudos com mais participantes antes de qualquer uso como alternativa aos métodos atuais.
Quanto custa o sensor?
A produção do componente óptico custa cerca de US$ 10, o equivalente a aproximadamente R$ 50. Esse valor não inclui eletrônica, calibração e certificação necessárias para um produto final à venda.
Como o sensor consegue medir sem furar a pele?
Ele usa luz para analisar substâncias, em um processo chamado espectrometria óptica. A equipe criou um modelo miniaturizado, o espectrômetro convolucional, que recupera informações precisas usando cálculos matemáticos em vez de equipamentos grandes.
Quem desenvolveu a tecnologia?
Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em parceria com a startup GlitterinTech. O estudo foi publicado em abril na revista científica Nature Photonics.
Com informações de Revista Galileu.
Imagem: reprodução/Revista Galileu




