Lightsource bp testa robôs e aço que podem deixar usina solar 22% mais barata e 30% mais rápida
A britânica Lightsource bp testou uma combinação inédita de tecnologias que promete tornar a construção de usinas solares gigantes mais barata e mais rápida. Segundo a empresa, o conjunto de soluções pode reduzir em até 22% os custos diretos de instalação e cortar em até 30% o tempo de obra.
Como funciona a nova abordagem
A ideia reúne quatro frentes de inovação que normalmente são tratadas separadamente pela indústria solar.
A primeira é a perfuração automatizada: equipamentos guiados por GPS de precisão cravam as estacas que sustentam as estruturas dos painéis com menos intervenção manual. A empresa estima que essa automação sozinha pode reduzir em até 12,5% o tempo gasto nessa etapa.
A segunda frente muda a forma como os módulos são presos às estruturas. Em vez de parafusos e grampos tradicionais, os painéis são encaixados diretamente na posição projetada, o que elimina etapas repetitivas na montagem.
A terceira aposta troca o alumínio das estruturas por aço, material que a empresa avalia como mais compatível com fabricação e montagem em grande escala. A Lightsource bp não revelou quanto essa troca sozinha economiza, por questões de confidencialidade.
Por fim, a quarta frente é a pré-montagem: parte dos componentes é preparada antes de chegar ao ponto final de instalação, como em uma linha de montagem industrial, reduzindo deslocamentos e retrabalho no canteiro.
Por que isso importa
Em usinas solares de escala gigawatt, cada módulo, estaca e cabo é repetido milhares ou até milhões de vezes. Pequenas economias de tempo e custo por peça se multiplicam ao longo do projeto inteiro.
Chris Buckland, diretor técnico global da Lightsource bp, afirma que os métodos de construção usados hoje podem limitar o avanço de plantas muito grandes. A empresa quer uma abordagem capaz de acompanhar o crescimento da demanda por energia solar sem tornar o canteiro de obras cada vez mais complexo.
Quanto falta para os testes reais
Os números de 22% e 30% fazem parte da fase inicial do Programa NextGen Solar, da Lightsource bp. Essa etapa avaliou soluções que já são usadas, separadamente, na China, na Europa e na América do Norte.
Agora o programa entra na fase de validação em campo, com testes em projetos ativos na Austrália e nos Estados Unidos. Entre as tecnologias que serão testadas estão a instalação automatizada de estacas, o posicionamento robótico de módulos e sistemas avançados de cabeamento.
A empresa espera os primeiros resultados dessa validação dentro de 18 meses. A perspectiva é que a combinação das quatro tecnologias se torne relevante para grandes projetos solares a partir de 2028.
O que ainda falta provar
Os percentuais de redução de custo e tempo ainda vêm de modelagem e análise, não de obras concluídas. A própria empresa reforça que fatores como tipo de terreno, disponibilidade de mão de obra, logística local e configuração de cada projeto podem alterar os resultados.
Também não é possível saber hoje quanto da economia total viria especificamente da troca do alumínio pelo aço, já que esse dado não foi divulgado separadamente. Por isso, os 22% e 30% devem ser vistos como potencial identificado pela pesquisa, não como ganho já garantido.
- Até 22% de redução nos custos diretos de instalação de usinas solares gigantes
- Até 30% menos tempo de construção
- Até 12,5% menos tempo para instalar as estacas com perfuração automatizada por GPS
- Testes reais acontecem em projetos na Austrália e nos Estados Unidos
- Primeiros resultados da validação esperados em até 18 meses
- Tecnologia pode ficar relevante para grandes projetos solares a partir de 2028
Perguntas frequentes
O que é o Programa NextGen Solar?
É uma iniciativa da Lightsource bp que reúne perfuração automatizada por GPS, encaixe de painéis sem parafusos, estruturas de aço e pré-montagem no canteiro, com o objetivo de baratear e acelerar a construção de usinas solares gigantes.
Os 22% de economia já estão garantidos?
Não. O número vem da fase de modelagem do programa e ainda será testado em projetos reais na Austrália e nos Estados Unidos antes de ser confirmado.
Onde as novas tecnologias serão testadas?
Em usinas solares ativas na Austrália e nos Estados Unidos, com os primeiros resultados esperados dentro de 18 meses.
Quando essa tecnologia pode chegar ao mercado?
A Lightsource bp trabalha com a perspectiva de que a combinação das quatro tecnologias se torne relevante para grandes projetos solares a partir de 2028, desde que os testes confirmem os ganhos estimados.
Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás




