Sustentabilidade

Universidade de Oxford desenvolve material que corta perda de energia solar em 75%

Pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que um material barato e não tóxico, o sulfeto de bismuto, consegue reduzir em 75% a perda de energia que normalmente ocorre dentro de um painel solar. O resultado foi obtido em testes de laboratório realizados à temperatura ambiente.

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Como funciona o novo material

O sulfeto de bismuto tem uma estrutura quântica rara, chamada de semicondutor “pseudo-direto”. Ela funciona como uma espécie de porta dupla para a energia da luz.

A luz do sol entra por um caminho principal, de alta energia, onde é fortemente absorvida pelo material. Logo abaixo desse ponto de entrada existe um estado de energia mais baixa, que funciona como uma sala de espera temporária para as cargas elétricas recém-liberadas.

Essa “sala de espera” segura as cargas com segurança antes de liberá-las, e faz isso de forma lenta. Como a dissipação é lenta, os elétrons ficam disponíveis por mais tempo até serem coletados e transformados em eletricidade.

Segundo a física Herz, autora do estudo, a descoberta revela “um novo princípio para projetar semicondutores que podem ajudar a aproveitar a energia solar de forma mais eficiente”.

Por que isso importa

Hoje, boa parte da energia captada por um painel solar se perde porque as cargas elétricas se recombinam rápido demais antes de serem aproveitadas. O sulfeto de bismuto ataca justamente esse ponto.

Herz destaca que a novidade não é apenas melhorar um semicondutor já conhecido, mas identificar “uma forma diferente de os semicondutores se comportarem”. Isso dá aos cientistas um roteiro para buscar, em bancos de dados de materiais, outras substâncias com essa mesma propriedade de “alçapão” para elétrons.

O princípio também pode servir para guardar cargas elétricas por mais tempo em processos de conversão de energia solar em combustíveis químicos, não só em painéis fotovoltaicos tradicionais.

O sulfeto de bismuto ainda tem vantagens práticas: é abundante na natureza e não tóxico, ao contrário de materiais solares que usam chumbo ou cádmio. Os pesquisadores afirmam que ele pode ser produzido em filmes finos por métodos acessíveis, como processamento em solução, evaporação térmica e deposição em banho químico.

O que ainda falta

A equipe de Oxford é clara: isso ainda não é um painel solar pronto para o telhado de uma casa. O estudo comprova um mecanismo físico fundamental, não um produto comercial.

O próximo passo é usar esse conhecimento para buscar e projetar outros materiais com a mesma propriedade, testando sua viabilidade para uso real em células solares.

  • Redução de 75% na perda de energia das cargas elétricas, medida à temperatura ambiente
  • Material testado: sulfeto de bismuto, um semicondutor “pseudo-direto”
  • Material é abundante na Terra e não tóxico, diferente de opções com chumbo ou cádmio
  • Pode ser fabricado por processamento em solução, evaporação térmica ou deposição em banho químico
  • Estudo prova um mecanismo físico novo, ainda sem produto comercial pronto

Perguntas frequentes

O que é o sulfeto de bismuto?

É um semicondutor com uma estrutura eletrônica rara, chamada “pseudo-direta”, que absorve luz com força e ao mesmo tempo retém as cargas elétricas geradas por mais tempo antes que elas se percam.

Por que essa descoberta importa para energia solar?

Painéis solares perdem boa parte da energia captada porque as cargas elétricas se dissipam rápido demais. O novo material reduz essa perda em 75% em testes de laboratório, o que pode significar painéis mais eficientes no futuro.

Esse material já está disponível em painéis solares comerciais?

Não. A pesquisa da Universidade de Oxford comprova o mecanismo físico em laboratório, mas o próprio time afirma que ainda não existe um produto comercial baseado nele.

O sulfeto de bismuto é seguro e sustentável?

Sim. Segundo os pesquisadores, ele é abundante na natureza e não tóxico, ao contrário de alguns materiais solares que usam chumbo ou cádmio, além de poder ser produzido por métodos de baixo custo.

Com informações de Interesting Engineering.
Imagem: reprodução/Interesting Engineering

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