Brasil constrói primeiro submarino nuclear da América Latina com lançamento previsto para 2037
A Marinha do Brasil está construindo no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, o SN-BR Álvaro Alberto, primeiro submarino de propulsão nuclear da América Latina. O lançamento está previsto para 2037, e a Força já pediu um reforço de R$ 1 bilhão no orçamento de 2026 para evitar atrasos na obra.
O submarino, batizado de Álvaro Alberto e também identificado como SN-10, faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Os dados sobre cronograma e orçamento foram divulgados pelo site argentino especializado em defesa redcastrense.com.ar.
Como funciona o submarino nuclear brasileiro
Diferente dos submarinos da classe Riachuelo, que já estão em serviço ou em testes, o Álvaro Alberto usa propulsão nuclear em vez do sistema diesel-elétrico convencional.
Um reator nuclear a bordo gera energia suficiente para o submarino navegar submerso por muito mais tempo, sem precisar subir à superfície para recarregar baterias ou abastecer combustível.
Segundo o redcastrense.com.ar, isso dá ao submarino alcance praticamente ilimitado, maior velocidade submersa, furtividade aprimorada e mais capacidade de patrulhar águas profundas por longos períodos.
Quando o submarino fica pronto e quanto custa
A construção do casco começou com o primeiro corte de chapa em junho de 2024. A quilha do submarino está prevista para ser assentada em 2027, e o lançamento deve ocorrer em 2037, quando a embarcação deve entrar em serviço.
O cronograma, porém, depende do orçamento, apontado pelo site argentino como o principal obstáculo do programa. Para não atrasar a obra, a Marinha pediu um valor extra de R$ 1 bilhão em 2026.
Por que o Brasil quer um submarino nuclear
Um submarino de propulsão nuclear ajudaria o Brasil a fiscalizar com mais eficiência sua Zona Econômica Exclusiva, batizada de Amazônia Azul, além de proteger rotas de navegação e recursos offshore como petróleo e gás.
A Marinha já propôs construir três submarinos nucleares no futuro para manter presença contínua no mar. Com essa frota, o tempo de deslocamento até áreas críticas do Atlântico Sul cairia de 15 dias para 4 dias.
Se o projeto for concluído com sucesso, o Brasil entra num grupo seleto: hoje, apenas Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Índia operam submarinos de ataque com propulsão nuclear.
O site argentino reforça que o objetivo do Brasil não é desenvolver armas atômicas, mas sim propulsão nuclear sob supervisão internacional.
O complexo que vai trocar o combustível nuclear debaixo d’água
Para operar o submarino, a Marinha também constrói, no mesmo Complexo Naval de Itaguaí, o Complexo de Manutenção Especializada (CME), na Ilha da Madeira. A instalação fará, como rotina, a troca do combustível nuclear do reator do submarino.
Os detalhes sobre o CME foram divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) em 1º de julho de 2026, após uma reunião técnica com a Marinha realizada em 30 de junho, no auditório Carneiro Felippe, em Botafogo.
O encontro foi conduzido pela Coordenação-Geral de Reatores (CGRE) da ANSN, chefiada por Daniel Palma, com participação de técnicos das divisões de Ensaios e Materiais e de Indústria do Ciclo do Combustível.
Na reunião, a equipe apresentou estudos sobre cortes e contenções nas encostas próximas ao complexo, para garantir que um eventual deslizamento não atinja as instalações onde o combustível nuclear será trocado.
“A cada conversa dessa, nós sanamos dúvidas e economizamos meses de discussão em idas e vindas de documentação técnica”, disse Daniel Palma ao fim do encontro. Uma nova reunião sobre as encostas do CME deve ser marcada em até 30 dias.
Principais números do projeto
- 1º submarino de propulsão nuclear da América Latina
- Primeiro corte de chapa do casco: junho de 2024
- Quilha prevista para 2027
- Lançamento estimado para 2037
- Reforço orçamentário pedido para 2026: R$ 1 bilhão
- Com 3 submarinos nucleares, o deslocamento até áreas críticas cairia de 15 dias para 4 dias
- Só 6 países operam submarinos nucleares de ataque hoje: EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Índia
Perguntas frequentes
O que é o SN-BR Álvaro Alberto?
É o primeiro submarino de propulsão nuclear construído na América Latina, feito pela Marinha do Brasil no Complexo Naval de Itaguaí, dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).
Quando o submarino nuclear brasileiro entra em serviço?
O lançamento está previsto para 2037, com entrada em serviço por volta dessa data ou logo depois, segundo o cronograma divulgado pelo site redcastrense.com.ar.
Qual a vantagem de um submarino nuclear sobre um convencional?
A propulsão nuclear oferece alcance praticamente ilimitado, maior velocidade submersa, mais furtividade e capacidade de ficar submerso por muito mais tempo que os submarinos diesel-elétricos, como os da classe Riachuelo.
O Brasil vai desenvolver armas nucleares com esse projeto?
Não. O objetivo é usar a energia nuclear apenas para propulsão do submarino, sob supervisão internacional, sem buscar armamento atômico.
Com informações de Click Petróleo e Gás.
Imagem: reprodução/Click Petróleo e Gás




