Curiosidades

Cientistas encontram células de sangue em osso de dinossauro de 115 milhões de anos

Uma equipe internacional liderada pela Curtin University, na Austrália, relatou a descoberta de células parecidas com glóbulos vermelhos dentro do osso da perna de um dinossauro de 115 milhões de anos. O fóssil é de um Aratasaurus museunacionali, encontrado no Nordeste do Brasil, e o estudo foi publicado na revista PNAS.

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Os cientistas detectaram ainda o heme, componente com ferro que permite à hemoglobina transportar oxigênio. Se confirmada, é uma das evidências mais fortes de resquícios de sangue em um dinossauro.

O que foi encontrado no fóssil

O grupo, liderado pela geoquímica orgânica Kliti Grice, analisou restos recuperados da Formação Romualdo, no Nordeste brasileiro. O animal era um dinossauro terópode de cerca de 3 metros de comprimento, que provavelmente tinha por volta de 4 anos quando morreu.

Parte da pata traseira direita ficou envolvida no que os pesquisadores identificam como um antigo tapete microbiano. Dentro dos canais que um dia abrigaram vasos sanguíneos, apareceram vários corpos arredondados, com aspecto de células.

Para Grice, detectar moléculas derivadas do heme em células de 115 milhões de anos é “astonishing”, um marco que amplia o registro fóssil conhecido de sangue.

Como os cientistas checaram se eram mesmo células

Só o formato não bastava, porque minerais e micróbios podem criar imitações convincentes de células. Por isso, a equipe combinou microscopia com várias técnicas de análise química.

  • Idade do fóssil: 115 milhões de anos, do período Cretáceo.
  • Tamanho do animal: cerca de 3 metros de comprimento.
  • Heme B: identificado em extratos do osso, junto de um composto alterado.
  • Proporção: o composto alterado era cerca de 90 vezes mais abundante que o heme B.
  • Porfirina: a espectroscopia revelou essa estrutura que se liga ao ferro dentro das formas celulares.
  • Mapeamento de elementos: ferro, nitrogênio e carbono associados às estruturas.

A grande quantidade do composto alterado indica que a maior parte do heme sofreu mudança química durante a fossilização.

Por que isso importa

Relatos de química pré-histórica em fósseis não são novos. Desde o fim da década de 1990, há registros de compostos com heme em um osso de Tyrannosaurus rex, e um estudo de 2015 descreveu possíveis glóbulos vermelhos e fibras de colágeno em fósseis de 75 milhões de anos.

Esses achados sempre geraram muito debate. O novo trabalho tenta reduzir as dúvidas ao mostrar que o tapete microbiano ao redor era dominado por compostos de pigmentos de fotossíntese, enquanto as porfirinas do osso eram em sua esmagadora maioria ligadas ao heme. Isso sugere que os compostos vieram do fóssil, e não do ambiente.

Os pesquisadores também detectaram hidroxiprolina, um aminoácido associado ao colágeno. Segundo a matéria, isso apoia a ideia de material original do osso, mas não é o mesmo que recuperar uma proteína de colágeno intacta.

Por que o material pode ter sobrevivido

Os autores apontam um mineral de óxido de manganês chamado hausmannita, encontrado nas estruturas microscópicas. Eles sugerem que suas propriedades antioxidantes podem ter protegido o material.

Um enterramento com pouco oxigênio e a atividade de micróbios também podem ter ajudado. Essa, porém, continua sendo uma hipótese, e não uma explicação comprovada em experimento.

O que ainda falta

O próprio estudo reconhece que não dá para descartar por completo a contaminação por micróbios que produzem heme. Um trabalho de 2019 com ossos de Centrosaurus já havia mostrado que um osso fóssil pode virar habitat de comunidades microbianas atuais.

Há outro ponto de cautela: as supostas células parecem um pouco mais redondas e largas que as de aves e crocodilianos atuais. Elas podem ter sido amassadas ou rompidas antes da preservação, ou o sangue dos dinossauros pode ter tido diferenças que ainda desconhecemos.

Também não há informação sobre a preservação da parte proteica da hemoglobina. Transformar esses resquícios em um retrato do metabolismo antigo vai exigir mais pesquisa.

Perguntas frequentes

Que dinossauro é esse?

É o Aratasaurus museunacionali, um terópode de cerca de 3 metros, encontrado na Formação Romualdo, no Nordeste do Brasil.

Os cientistas encontraram sangue de verdade?

Encontraram estruturas parecidas com glóbulos vermelhos mineralizados e compostos derivados do heme. Não é sangue líquido, e a equipe admite que a contaminação por micróbios não pode ser totalmente descartada.

O que é o heme?

É o componente com ferro da hemoglobina, a proteína que permite ao sangue transportar oxigênio.

Isso significa que dá para recriar dinossauros?

Não. Como resume a matéria, ainda não é Jurassic Park. O achado ajuda a entender a fisiologia desses animais, nada além disso.

Com informações de New Atlas.
Imagem: reprodução/New Atlas

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