China vende caminhões elétricos pesados em 50% das vendas e derruba demanda por diesel
Os caminhões elétricos chegaram a 50,3% das vendas de caminhões pesados na China em setembro. Foram 33,1 mil unidades em um único mês, alta de 37% sobre um ano antes, enquanto o mercado total de pesados encolheu 21%.
O efeito já aparece nos dados de petróleo: a demanda chinesa por diesel deve cair cerca de 230 mil barris por dia em 2026.
Como a China chegou a metade das vendas
Em 2024, os veículos de nova energia respondiam por 13,6% dos caminhões pesados (acima de 12 toneladas) vendidos no país. Em 2025, as vendas quase triplicaram, para 231,1 mil unidades, uma alta de 182% e fatia de 28,9%.
Dezembro de 2025 chegou a 53,9%, mas foi uma corrida: compradores correram antes do fim de subsídios de troca e da cobrança de novos impostos de compra. Em março, a fatia voltou a cerca de 23%.
Depois, o mercado reagiu. De janeiro a setembro de 2026, a China vendeu 226,4 mil pesados elétricos, alta de 64% e fatia de 38,1%. Isso já é quase o total de todo o ano de 2025, com um trimestre ainda por vir.
Entre os cavalos mecânicos, que puxam carretas de longa distância, a fatia de setembro chegou a 64,5%.
Principais números
- 50,3% das vendas de pesados em setembro, com 33,1 mil unidades;
- 38,1% de participação de janeiro a setembro de 2026, com 226,4 mil caminhões;
- 40% até 2030 era a meta do governo, superada em base mensal quatro anos antes;
- 230 mil barris por dia de queda esperada na demanda de diesel em 2026;
- 8% da frota de pesados em circulação será elétrica no fim de 2026, segundo a Kpler.
Por que isso aconteceu: custo por quilômetro
A explicação central é o custo. Na maioria dos usos, um caminhão pesado elétrico na China já é mais barato de ter e operar do que um a diesel, e as transportadoras fazem essa conta todos os dias.
A CATL, maior fabricante de baterias, afirma economizar cerca de 0,6 yuan por km. Um estudo do ICCT com a CATARC, da China, encontrou caminhões elétricos a bateria cerca de 19% mais baratos por tonelada-km que o diesel, em boas condições.
A vantagem some com baixa quilometragem anual ou quando o peso da bateria reduz a carga útil.
Troca de bateria em cerca de cinco minutos
Para o problema do tempo de recarga, a China aposta na troca de baterias. A marca Qiji, da CATL, tinha cerca de 300 estações de troca para pesados no fim de 2025 e planeja 900 até o fim deste ano e 2 mil em 2027.
Os novos pacotes padronizados têm 432 kWh e 513 kWh e são trocados em cerca de cinco minutos. A CATL também leva o modelo à Europa, em parceria com a Octopus Energy.
O gás natural perdeu a corrida
Por anos, a alternativa ao diesel foi o gás natural liquefeito (GNL), que teve quase 30% do mercado em 2024. Segundo a Kpler, em março o GNL tinha 37% dos registros de pesados, contra 23% dos elétricos. Em julho, os elétricos foram a 47% e o GNL caiu para 11%.
Por que isso importa
O consumo de diesel na China já passou do pico. A demanda aparente caiu de 4,7 milhões de barris por dia em abril de 2023 para 4,0 milhões em abril de 2025, segundo o Rhodium Group.
Mesmo assim, o transporte rodoviário de cargas cresceu cerca de 3% até julho: o país move mais mercadorias com menos diesel. Parte da queda de 2026 vem da alta dos combustíveis na primavera, ligada à guerra no Irã, mas isso explica só parte do movimento.
E no resto do mundo
Na União Europeia, foram 5.120 caminhões pesados elétricos registrados até setembro, alta de 59,9%, com fatia de 2,5%. O diesel ainda ficou com 91,7% dos registros. A Suíça tem 24%, a Noruega 14,4%, a Holanda 11,1% e a Suécia 10,3%.
Nos Estados Unidos, a fatia de elétricos de classe 8 é bem inferior a 1%. O ICCT estima o trator elétrico mediano em US$ 411.200, contra US$ 172.500 do diesel, e os créditos fiscais federais acabaram em 2025.
O que ainda falta
A frota elétrica ainda é pequena, cerca de 8% dos pesados em circulação até o fim de 2026. Cada ano com 40% a 50% das vendas amplia a perda do diesel. SANY e BYD já vendem elétricos na Europa, e a dúvida é se chegarão perto dos preços chineses.
Perguntas frequentes
Quantos caminhões pesados vendidos na China são elétricos?
Em setembro, 50,3%, ou 33,1 mil unidades. De janeiro a setembro de 2026, a fatia foi de 38,1%.
Por que os elétricos estão vencendo o diesel?
Principalmente pelo custo: em muitos usos, são mais baratos de ter e operar. O ICCT e a CATARC apontam cerca de 19% de economia por tonelada-km em boas condições.
Como é resolvida a recarga demorada?
Com estações de troca de bateria. Os pacotes de 432 kWh e 513 kWh são trocados em cerca de cinco minutos.
Os EUA estão no mesmo ritmo?
Não. A fatia de elétricos pesados é inferior a 1%, e o caminhão elétrico custa cerca de 2,4 vezes o diesel, segundo o ICCT.




