Inovação

Empresa testa avião solar que voa 29 horas sem parar, inclusive à noite, a 14,5 mil metros

A empresa UAVOS fez seu avião solar ApusNeo voar por 29 horas seguidas sobre a ilha de Fuerteventura, na Espanha, inclusive à noite, usando apenas a luz solar armazenada. Ele chegou a 14.500 metros de altitude (47.600 pés), e um novo voo já passou de 80 horas, com meta de chegar a 100.

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A aeronave tem 18 metros de envergadura e foi pensada para uma missão bem prática: vigiar incêndios florestais, um dos maiores problemas de verão do arquipélago das Canárias.

Como funciona

Painéis solares nas asas alimentam os motores e carregam as baterias durante o dia. Depois do pôr do sol, o avião passa a usar a energia guardada nas baterias até o sol voltar, fechando um ciclo completo de dia e noite.

Em teoria, isso permitiria ficar no ar por semanas, desde que os dias sejam longos o bastante. Pequenos aviões solares dependem da energia que conseguem acumular antes de escurecer.

O ApusNeo decolou em 16 de outubro do Canarias Stratoport, no Parque Tecnológico de Fuerteventura. O voo foi coordenado pela ENAIRE, órgão que gerencia a navegação aérea da Espanha.

Os principais números

  • Duração: 29 horas no voo de outubro; novo voo com mais de 80 horas e meta de 100.
  • Altitude: 14.500 metros (47.600 pés), limite definido pelos avisos aeronáuticos do voo.
  • Envergadura: 18 metros (59 pés).
  • Peso na decolagem: até 47 kg.
  • Carga útil: até 3,4 kg na versão reforçada.
  • Voos de setembro: 29 e 52 horas sem parar, segundo o centro aeroespacial CATEC.

Segundo o fundador e CEO da UAVOS, Aliaksei Stratsilatau, o avião poderia ter subido mais. O teto foi o permitido para aquele voo.

Por que isso importa

Satélites em órbita baixa passam sobre um ponto por poucos minutos. Aviões tripulados e drones comuns precisam pousar para reabastecer.

Uma plataforma solar de alta altitude (HAPS, na sigla em inglês) pode ficar dias ou semanas sobre a mesma área de floresta. Assim, consegue detectar um incêndio cedo e acompanhar o avanço das chamas.

No voo de outubro, a carga era um módulo de observação da Terra, com câmera de alta resolução e sensores infravermelhos que enviam imagens em tempo real. Para incêndios, o infravermelho é o que conta, porque detecta calor em vez de fumaça.

Em dezembro do ano passado, o mesmo modelo voou do mesmo local para o projeto espanhol ISSEC, que estuda como essas plataformas podem mandar dados ao vivo para serviços de emergência.

O que ainda falta

Há uma distância entre o ApusNeo e os líderes da categoria. A União Internacional de Telecomunicações (UIT) coloca essas plataformas entre 20 e 50 km de altitude. Por esse critério, o ApusNeo ainda não chegou ao território HAPS.

O antecessor, ApusDuo, alcançou 16.686 metros em um teste de 10,5 horas em Ruanda, em 2023, segundo a empresa. O Zephyr, da Airbus (hoje operado pela AALTO), chegou a 23.195 metros e, em 2025, ficou no ar por 67 dias, 6 horas e 52 minutos.

O calendário também pesa. A SoftBank, que desenvolve o próprio avião solar estratosférico, o Sunglider, já apontou que dias curtos de inverno dificultam voos o ano todo.

Ainda não há data para o ApusNeo assumir uma missão real de vigia de incêndios. A UAVOS, parceira tecnológica da Mira Aerospace, subsidiária de HAPS da Space42, de Abu Dhabi, diz estar pronta para preparar o avião para missões futuras e equipá-lo com cargas mais avançadas.

A história do projeto é antiga: o avião apareceu em 2018 como protótipo chamado ApusDuo, com 14 metros de envergadura e duas asas em sequência. O ApusNeo abandonou a asa traseira e esticou a restante.

Perguntas frequentes

Como o avião solar voa à noite?

Ele usa a energia que as baterias armazenaram durante o dia, carregadas pelos painéis solares nas asas, até o amanhecer.

Quanto tempo o ApusNeo já ficou no ar?

No voo de outubro, ficou 29 horas. Em setembro, houve voos de 29 e 52 horas. Um novo voo já passou de 80 horas, com meta de 100.

Para que o avião será usado?

A UAVOS quer usá-lo para monitorar incêndios florestais, com câmera de alta resolução e sensores infravermelhos que enviam imagens em tempo real.

O ApusNeo já é considerado uma plataforma HAPS?

Ainda não, estritamente. A UIT define essas plataformas entre 20 e 50 km de altitude, e o ApusNeo chegou a 14,5 km.

Com informações de New Atlas.
Imagem: reprodução/New Atlas

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